Como criar a minha própria sessão/aula de dança terapêutica ao som da percussão?

 

 

 

 

Esta é apenas uma sugestão de um ritual “caseiro” que poderá , apesar da sua aparente simplicidade, dar belos frutos para quem o praticar.

Poderá também ser devidamente aplicado e adaptado às aulas colectivas de professores  responsáveis, sensíveis e competentes.

Este ritual pode e deve ser moldado às especificidades de cada pessoa e serve como forma de relaxamento, meditação em movimento, momento de libertação.

 

 

***NOTA INTRODUTÓRIA: a percussão utilizada pode ser de qualquer origem, não sendo obrigatoriamente árabe.

 

1.A preparação para qualquer aula ou treino é essencial.

  Alongamentos e aquecimento geral do corpo e da mente é imprescindível  para nos concentrarmos naquele momento, naquelas sensações e experiências. Os alongamentos não servem apenas para aquecer o corpo mas também a mente, preparando-os para a sessão que se vai seguir e afastando-nos das preocupações e da rotina do dia-a-dia.

 

2.Dançar descalça e, de preferência, sem meias ou collants. Sentir o contacto directo das plantas dos pés com o chão, imaginando que somo suma planta ou árvore cujas raízes se expandiram pelo solo e já penetraram nele. Sentir as plantas dos pés totalmente assentes no chão dá-nos uma sensação de segurança e pertença à terra e essa sensação deve ser utilizada antes, durante e depois da sessão de dança.

 

3. Deixar o som das batidas da percussão penetrar em nós mesmo antes de começar a movermo-nos. Se for necessário, começar por fechar os olhos para distrair a atenção por outros elementos circundantes e ouvir o ritmo, deixando-o entrar no corpo até que a vontade de nos movermos seja bem clara.

 

4. Deixar-se levar pela música sem pretender controlar os movimentos que sairão espontaneamente e sem exercer nenhuma espécie de auto-censura ou crítica nutrindo pensamentos do género: “que figura ridícula que estou a fazer!” ou “tenho de saber comportar-me como um adulto e estou a agir como uma criança!!!”

Pensamentos como estes bloqueiam a liberdade daquilo que, inconscientemente, precisa de ser exteriorizado. Trazemos muitos “NÃOS” de infância, da sociedade que nos rodeia e condiciona, dos nossos pais, dos educadores, etc, etc!

NÃO faças isto, NÃO mexas aí, NÃO vais ser capaz, NÃO és um bom menino, NÃO vás por aí, NÃO comas isso, NÃO digas isso, NÃO!!!

Esses “NÃOS” limitam as nossas reacções e acções sem que nos apercebamos e a música associada à dança são formas de modificar essa situação.

 

Aproveite este ritual personalizado para se deixar levar pela música, esquecendo-se de si mesmo como a pessoa exterior que conhece ( com todos os seus equívocos e auto-imagem geralmente destorcida) e penetre no mais fundo e silencioso de si mesmo.

É essa a primeira função da dança: a comunicação totalmente livre e pura consigo mesmo, sem juízos de valor, sem condenações, sem nada que o separe da sua essência.

 

Por mais estranho que isso lhe possa parecer, dance até cair de cansaço e esqueça que existe o tempo e o mundo à sua volta. Entregue-se ao ritmo e à vida!

 

5.Continue de olhos fechados.

Para terminar, sente-se confortavelmente e respire pausada e profundamente enchendo os pulmões e a zona abdominal de ar.

Inspire o máximo de ar que conseguir de uma só vez e depois expire calmamente, como se quisesse expelir uma onda de energia para fora do seu corpo, renovando-a no momento seguinte com a próxima respiração.

 

Focalize a sua atenção num pensamento positivo que pode ser algo deste género:

“Estou em paz comigo mesmo e com o mundo”; “ A felicidade está em mim e na minha vida”; “Sou feliz e abençoado”,etc.

Enquanto inspira, concentre-se no pensamento escolhido e deixe que ele entre em si como um componente do próprio ar. Em vez de termos uma fórmula química de H2O (água), teremos H2O + Sou Feliz!!!

 

Repita este procedimento por dez minutos, no mínimo.

Abra os olho, espreguice-se, boceje e acorde para a vida com uma disposição diferente!