O
poder libertador da dança
Actualmente encaramos a Dança como uma forma de entretenimento ou como uma alternativa para o exercício físico ou como forma de nos sociabilizarmos.
No entanto, houve uma época longínqua em que a Dança era considerada como a mais alta forma de expressão da nossa espiritualidade na busca de comunhão com o Divino, uma parte da jornada da Vida, celebrando as estações e os ritmos cíclicos do ano e até os ritmos das nossas vidas pessoais. A Dança é uma linguagem que une o corpo, a mente e a alma. Entramos numa diferente dimensão da realidade através da Dança.
A espiritualidade da Mulher sempre esteve muito associada à Dança e a origem desta associação milenar vem das antigas culturas do Matriarcado em que se adoravam divindades femininas. Naquela altura, as Mulheres eram as curandeiras e as guias espirituais de toda uma comunidade que reverenciava o poder da “Grande Mãe”. A Dança era, na altura, parte integral dos rituais religiosos e isto sucedia em religiões como o Judaísmo e o Cristianismo que, devido ao poder crescente e quase sempre corrupto dos homens, aboliu e condenou este precioso elemento dos seus rituais.
Aos poucos, mulheres e homens de todo o mundo redescobrem o poder terapêutico, curativo e espiritual da Dança e aplicam-nos à sua vida. Quando falamos nestes aspectos, a “Dança do Oriente” encontra um lugar privilegiado de entre todas as danças. A mulher, com a sua sensibilidade cultivada e a sua instintiva ligação aos ciclos da Vida, é um dos elos quase perdidos entre a Mãe Natureza e o ser humano, entre as forças da Terra e do Céu que se unem na dança mágica sobre a qual os Antigos Egípcios tanto falavam.
A
música e a dança têm também a função de nos fazer esquecer e sublimar os
problemas e as dificuldades que a vida nos propõe resolver. É evasão
mas também relativização
do que é bom e do que é menos bem, pois dança-se toda a gama de sentimentos
(alegria, tristeza, dor, prazer, amor, raiva, etc).
Podemos olhar para a música e para a dança como formas de entender, sentir e viver a vida com maior flexibilidade, maior alegria e descontracção!
Elas carregam em si uma filosofia que pressupõe o respeito e a profunda compreensão de que a Vida tem o seu próprio ritmo e os sábios são os que sabem dançar com ela, respeitando os seus tempos, as curvas e desvios que executa, os saltos, as subidas e as descidas!
A música e a dança orientais desenvolvem como nenhumas outras uma série de benefícios e uma carga libertadora ao nível mental, emocional, espiritual e físico. Os sentimentos de profundo bem-estar consigo mesmo e com o mundo dentro e fora de nós unem-se ao prazer de dançar que é sempre uma celebração do respectivo prazer de estar vivo!!!
Quem pratica este género de dança ou tem o costume de ouvir música árabe poderá aperceber-se de todo um manancial de maravilhosas descobertas sobre a vida e sobre si mesmo.
O poder libertador está lá, a percepção do mesmo depende dos ouvidos que escutem, do corpo que se move e do coração que sente!