Movimentos básicos de Dança do Oriente 

Os apontamentos que se seguem são apenas algumas indicações dos movimentos básicos de Dança do Oriente.

Estas indicações não são suficientes para ensinar um aluno a dançar mas podem ser um complemento útil para alunos e professores que estejam em contacto com esta arte. 

Ao contrário do que se presume, as bases técnicas da Dança do Oriente são essenciais e deveras importantes para um boa aprendizagem e evolução na dança oriental.Sem boas bases, todos os movimentos que se aprendam posteriormente estarão fragilizados e pouco seguros. Podemos imaginar um edifício cujos pilares/estruturas de suporte estão mal construídos. Este edifício cresce sobre bases mal  formadas e a sua construcção será sempre deficitária, por melhor que se tente fazer.

Assim na vida como na dança.

Menosprezar este início de aprendizagem, estes movimentos aparentemente simples mas cheios de possibilidades e abordagens é menosprezar o essencial que nos permitirá crescer nesta forma de arte e executar movimentos e passos de execução mais difícil. 

Espero que as notas que passo a comunicar vos sejam úteis.

À semelhança de todas as informações contidas no meu website, estas informações que agora passo são resultado da minha experiência e conhecimentos pessoais, fazendo parte do meu método de ensino de Dança do Oriente.

Tenho todo o gosto em partilhar o meu método com alunos e professores e espero que ambos o saibam usar e tirar o melhor partido dele. 

 

 

Nota introdutória  

 

 

Por razões históricas e condicionalismos vários esta arte assimilou , ao longo de muitos séculos, influências de danças e músicas de vários países entre os quais se encontram o Egipto – onde se julga que estará a sua origem – a Turquia, a Índia, a Pérsia, África.

Por isso, a forma de arte que chegou até nós é uma mistura refinada – pelo menos é isso que se pretende!!! – de estilos e notas de diferentes países tornando-a rica e culturalmente cosmopolita. 

Aqui reside grande parte da sensualidade da Dança do Oriente, esse misterioso e indefinível “quê” que torna esta dança tão misteriosa e hipnotizante: O prazer na execução e no próprio corpo. 

     A Dança do Oriente materializa alguns dos símbolos mais antigos que a Humanidade encontrou para expressar as       Verdades essenciais do Universo.

Os ciclos eternos de vida e morte, o poder criador e destruidor, a Terra Mãe e todos os seus correspondentes, etc.

Por isso, ao contrário de nos dedicarmos a uma aprendizagem baseada na cópia/reprodução do que o professor executa eu prefiro ensinar os meus alunos a visualizarem – principalmente numa primeira fase – determinadas figuras lineares ou circulares que os ajudam a assimilar todos os movimentos “por dentro” e não por fora, superficialmente.

Pretende-se um aluno autónomo e consciente da sua forma de expressão na dança e não um atómato que repete o que um professor lhe diz para repetir sem entender, de facto, o que está a fazer. 

Visualização de figuras arquetípicas: círculos, oitos (figura do infinito), ondulações, linhas rectas e contínuas ou descontínuas,etc.

A imaginação e a concentração – aliados a um estado de relaxamento profundo – são os principais instrumentos desta primeira fase de aprendizagem. 

Outro dos princípios básicos do meu método de ensino é o ISOLAMENTO e COORDENAÇÃO de diferentes partes do corpo. Quando movemos apenas o peito, apenas o peito deve estar em movimento.Quando movemos as ancas, apenas as ancas devem estar em movimento e assim por diante. Não deixar o descontrole tomar conta de nós e tentar manter cada movimento na sua zona específica sem mover outras partes do corpo ao mesmo tempo, a menos que queiramos essa coordenação e a executemos consciente e correctamente.

Fazer a revisão da imagem e do uso que fazemos do nosso corpo é um dos pontos pelos quais se deve começar.

Ver o corpo como um TODO em que cada parte tem a sua função e expressividade própria, me vez de encarar o corpo como um BLOCO único sem particularidades.

Depois de conseguirmos fazer um bom isolamento das diferentes partes do corpo, podemos coordenar várias zonas ao mesmo tempo.

·         É imprescindível criar uma sintonia constante entre todos os movimentos e a música que se interpreta. O movimento deve ser SEMPRE um reflexo da música que dançamos.Um e outro devem tornar-se UM SÓ.  

 

 

 

  1. Posição básica:

Este ponto de partida é de extrema importância pois define grande parte da qualidade dos movimentos que se vão fazer a seguir.

A Dança do Oriente pode ser muito saudável para corpo e mente se ambos estiverem bem colocados. Caso haja um descuido constante na nossa postura, no posicionamento dos nossos joelhos e da nossa coluna, pélvis e pescoço e na forma de pensar (pensar demasiado ou de forma equívoca, etc) o que é potencialmente saudável pode tornar-se prejudicial.

Por isso, tenham atenção à vossa postura se quiserem usufruír de todos os benefícios que esta dança vos traz. 

A posição básica de Dança do oriente deve ser a mais natural e orgânica para que o corpo esteja posicionado de forma anatomicamente correcta (articulações bem colocadas e alinhadas) e assim  reaja livremente a todos os movimentos que queiramos executar. 

A coluna deve estar alinhada com o pescoço e com a pélvis e os joelhos levemente dobrados para permitir que a coluna se mantenha sempre recta e para dar às pernas e pélvis  a flexibilidade e o campo de acção necessários para torsões e movimentos bruscos que tenham algum impacto sobre os joelhos. 

Os pés devem estar afastados de forma a alinharem-se com a pélvis e o peso do corpo deve ser bem distribuído entre as duas pernas (distribuição de peso consciente).

Braços e ombros colocados lateralmente e totalmente relaxados, bem como o peito que deve estar igualmente alinhado com a coluna. 

Tentar sentir o conforto desta posição e SENTIR-SE nesta mesma posição de forma a poder auto-corrigir-se, sempre que for necessário.

 

  1. Acentuações laterais de ancas

Este movimento parte da mecânica do simples “caminhar”, movimento que nos é tão familiar e , simultaneamente, tão esquecido e desvalorizado.

Quando caminhamos, transferimos inconscientemente o peso do nosso corpo de uma perna para a outra. O caminhar é composto por sucessivas transferências de peso e as acentuações de anca não são mais do que um prolongar e enfatizar dessas transferências. 

Quando passamos o peso do nosso corpo para uma das pernas, deixamos que esse peso recaia sobre a anca correspondente à mesma perna e acentuamos com um toque lateral da anca (como se estivessemos a derrubar um obstáculo situado ao lado do nosso corpo ou a tocar em alguém com a nossa anca).

Repetimos o mesmo para o lado oposto. 

 

 

 

  1. Círculo da lua

O círculo da lua é um dos movimentos mais importantes da Dança do Oriente por dele partirem grande parte de muitos outros movimentos e por ser uma estrutura básica para o entendimento profundo desta forma de arte. 

O círculo da lua resume-se a desenhar um círculo completo (no sentido do chão) com as nossas ancas.

As pernas devem estar bem posicionadas de forma a permitir a transferência de peso de um lado para o outro e assim poder percorrer todo o caminho de que o círculo é composto ( frente, lado direito, trás, lado esquerdo e remate na parte da frente, de onde o movimento partiu). Podemos fazer o mesmo movimento para o lado oposto.

O importante é deslocar as ancas – e não todo o corpo – no sentido de um círculo perfeito (completo).O círculo da lua está simbolicamente ligado ao poder de dar à luz a à ligação NATUREZA/MULHER, uma vez que a mulher se encontra em conexão mais estreita com os ciclos da Natureza ( ciclos da lua, marés e ciclos menstruais pelos quais as mulheres passam).Relaciona-se também com o eterno processo de VIDA/MORTE/RENASCIMENTO, a sucessão circular das estações do ano, etc. Representa os ciclos de Vida. 

 

 

 

 

  1. Figura do oito ou Infinito

Este é outro movimento muito usado na Dança do Oriente e também ele carrega uma carga simbólica muito grande por representar o INFINITO, o UNO sem começo nem fim, as ondas do mar que não cessam o seu baile de eterna fluidez. 

Neste caso vamos desenhar (no sentido do chão, à semelhança do círculo da lua) a figura do  algarismo oito.

Ao redor de  cada perna será desenhado um pequeno círculo unido – no meio – para fazer o oito.O peso do corpo passará de uma perna para a outra com fluidez e sem definir um começo nem um final para o movimento. 

Ao contrário do círculo da lua  em que existe apenas uma figura circular desenhada ao redor do nosso corpo, na figura do oito estamos a desenhar dois pequenos círculos (um em cada perna).

Alternar o sentido do oito (de trás para a frente ou de frente para trás). 

 

 

 

 

 

  1. “Cabeça de serpente”

Este movimento resume-se à deslocação do maxilar de um lado para o outro.Embora seja a cabeça que parece mover-se, a zona de onde parte o movimento é o maxilar e é daqui que temos de imaginariamente “puxar” para um lado e para o outro. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. Movimentação de braços – Ondulação

Existem várias formas de movimentação de braços mas uma das mais usadas é uma ondulação lateral que alterna os dois braços.Quando um braço sobe lateralmente, o outro desce e assim consecutivamente.

Os ombros estão relaxados e imóveis neste tipo de movimentação.Apenas os braços se movem de forma fluída e coordenada como se se tratasse das asas de um pássaro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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